Pichadores do século 19

17/06/2009

Susan Sontag talvez tenha vindo ao Egito antes de escrever sobre a semelhança entre as câmeras fotográficas e as armas de fogo, objetos que protegem o homem do que lhe é desconhecido e hostil e lhe dão a sensação de estar no controle.

Se, num templo egípcio, nos deparamos com ameaçadoras esculturas antropozoomórficas (muitas decapitadas) ou com indecifráveis colunas de hieróglifos, não há motivos para pânico: basta lhes apontar as nossas câmeras e disparar à vontade. O alívio é imediato.

Nem sempre foi assim. No século 19, bem antes da câmera fotográfica portátil, os turistas que vinham ao Egito lidavam de outra maneira com os monumentos que encontravam pelo caminho.

Simplesmente inscreviam os seus nomes nas paredes e colunas dos templos, entre ou em cima dos hieróglifos e dos desenhos em relevo.

Será que assim pensavam reduzir a distância que os separava dos tempos daquelas construções? Será que, com os seus nomes inscritos nas rochas, aquele mundo grandioso e indecifrável deixava de lhes ser tão ameaçador? Será que daquela maneira queriam pegar carona na imortalidade dos faraós?

Ou eram apenas espíritos de porco curtindo um cruzeiro pelo Nilo nos tempos dos nossos tataravós?

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7 Respostas to “Pichadores do século 19”

  1. Coronel Kurtz said

    Sou contra a pena de morte, mas acabo de abrir uma exceção.

  2. Marcos said

    Caro Coronel Kurtz,

    A pena de morte deles já foi executada !

    Ou alguém acha que um turista pixador que deixou sua marca em 1875, 1884, 1857 ou 1845 ainda esteja vivo?

  3. Acho que acertou nos “espíritos de porco…”. O que faz a ignorância e a obscuridade.

  4. vai ver acharam que seriam imortais dessa forma,vai entender o “espirito do porco”………
    bjs sonia

  5. Paulinho said

    João,
    eu tenho uma amiga com esse sobrenome Galassi que vai ouvir xingamentos até qd eu encontrá-la.
    Boa viagem, amigo!
    paulino

  6. Fernando said

    Muito triste ver essas pichações, mas também não deixam de ser um registro histórico da imbecilidade européia, do colonialismo e o desrespeito às culturas africanas. Acho que essas pichações devem ficar poreservadas aí para sempre, como estão as câmaras de gás de Auschwitz a nos dizer dos erros do passado.
    Um abraço

  7. Assim, acredito que atualmente esse tipo de atitude seria super mal vista. Mas é necessário entendermos o contexto da época. Não creio que em 1884 ou 1875 as pessoas tinham consciência do quanto esses locais são importantes para a história e devem ser preservados.

    É fato que essas “pinchações” são simbólos de uma época em que a gente não via mal algum deixar o nome nessas paredes e não havia quem dissesse que era proibido. Por isso acho que devem ser preservados.

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