O Egito nos esmaga

15/06/2009

Templo de Hatshepsut

Templo de Hatshepsut

Difícil saber qual a minha lembrança mais antiga do Egito.

 

Ele estava nas histórias de aventuras no deserto, recheadas de  múmias, camelos e pirâmides, a que assistia nos desenhos animados e que lia nos gibis.

 

Mais adiante, vieram as aulas da professora Bruna, no Colégio Rio Branco, quando aprendi sobre as suas mais importantes dinastias, os faraós mais famosos, a organização da sua sociedade, a importância das cheias do Nilo para a sua economia. 

 

Outros tantos anos depois e, às vésperas do vestibular, o país reapareceu nos meus estudos, nas aulas do cursinho.

 

Então aprendi sobre a sua decadência e dominação pelo Império Romano, sobre a expansão islâmica no seu território, a ocupação britânica e, por fim, a sua independência, os conflitos envolvendo o Canal de Suez e a Guerra dos Seis Dias com Israel.

 

Enquanto isso, fora das aulas, o Egito deixou os desenhos animados e as histórias em quadrinhos para ocupar as páginas de revistas, em matérias de turismo, e programas televisivos sobre a descoberta de novos templos e túmulos.

 

Ironicamente, ter lido, ouvido e visto tanto do Egito ao longo da minha vida me deixou receoso de visitar o país. Afinal, acreditava que dificilmente poderia me surpreender com o que encontrasse. Mais além: tinha medo de me decepcionar.

 

E eis que chego aqui e sou absolutamente esmagado pelo que encontro.

 

Nunca, em lugar nenhum que já visitei na minha vida, me senti tão minúsculo.

 

Os templos construídos pelos egípcios têm uma monumentalidade que, milênios depois, e mesmo com as mais avançadas tecnologias, o homem não conseguiu igualar. E não foi por falta de tentativas – as catedrais góticas, os arranha-céus de Nova York e Brasiília (por que não?) estão aí para comprovar.

 

O mais interessante é pensar que o que chegou a nós dos egípcios antigos não foram as suas casas, os seus palácios, mas sim os monumentos que eles ergueram aos deuses e aos mortos.

 

Milênios antes de nós, na civilização mais antiga de que se tem notícia, o homem já se indagava sobre quem governava o seu destino, o que os aconteceria após a morte, que forças coordenavam o Universo.

 

Para mim, os templos erguidos pelos egípcios encerram um paradoxo: mostram que eles reconheciam a sua pequenez diante do Divino ao mesmo tempo que revelam a sua divindade, já que aquelas obras extraordinárias saíram de suas mãos.

 

Ao erguer esses templos, os faraós queriam perpetuar a sua existência, tornar-se imortais. Milênios depois, e as construções continuam em pé, majestosas.

 

Os faraós podem descansar, pois conseguiram. 

***

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Interior do templo de Edfu

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Edfu

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19 Respostas to “O Egito nos esmaga”

  1. Fiquei impressionado. Vou torcer para que a sua viagem ainda agora tenha começado, que isto seja só o principio de uma longa jornada.

  2. Carol Moreno said

    Ñ posso ler seu blog sem pensar no dia em que você me contou na ECA que estava pensando em largar o Jornalismo para estudar Direito e ganhar dinheiro.

    Espero que o fim da viagem seja fantástico com a família, e que o retorno ao Brasil seja melhor ainda. Um dia a gente se encontra lá pra tomar um suco de laranja com um paozinho de queijo feito na hora hein?

    • João Fellet said

      Oi, Carol!
      Que memoria a sua, hein?
      Sera que ainda tem pao de queijo feito na hora na ECA? Ouvi dizer que hoje em dia toca ate NXZero no CA…
      beijos

  3. Paulinho said

    Impressionante mesmo é o seu relato, Fellet, o resto é barbárie
    Paulino

  4. Nem quero imaginar o que seria você com uma camera digital reflex. As fotos já de si são boas mas com as suas palavras ganham uma força inaudita.

  5. João,seu relato foi tão real que me senti assim também,impactada pela grandiosidade ……..
    É immpressionante ver as fotos tão reais,com as pessoas por perto ,daí sim a dimensão exata ,coisa que nos livros de ARte ficavam distantes…….
    Obrigadíssimaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
    bjs a family e vamos lá………..
    Torcendo para não acabar………..
    sonia

  6. Gabriel Mitani said

    Mestre,

    Quer dizer que além de jornalista, funkeiro, aventureiro e blogueiro se tornou poeta?

    Maravilha de post!

    Abrasssssss

  7. Lara said

    E apesar de tudo escravizavam cruelmente…

  8. Gady said

    Impressionante que ontem mesmo cheguei a começar a escrever um comentário sobre as aulas da Professora Bruna, na sétima série e acabei não enviando. Tudo parece (e certamente é) fantástico. Abraços.

  9. Pra mim o templo de Horus é o mais bonito de todos, estive a noite em pleno Ramadam, as cenas das pessoas em peso nas ruas rezando juntas e o templo todo iluminado esquecido do outro lado da cidade sao impossíveis de serem esquecidas…

    Lindo de demais. Te falei que em Luxor tem um passeio de balão que é imperdível?

    bj e boa viagem

    • João Fellet said

      putz, que sorte a sua vir para ca no Ramadan, menina… soube que o passeio de balao nao esta rolando, porque e baixa temporada. ficara para a proxima vez.
      bjs!

  10. Joyce said

    Maravilhoso relato, João.

    Obrigada por compartilhar coisas tão belas.
    Fiquei impressionada com a nossa pequenez e, ao mesmo tempo, com a capacidade que o homem tem de construir gigantescas obras!

    Boa viagem!

  11. m.Jo said

    Tanta grandiosidade no passado, tanto obscurantismo no presente. O Egito de hoje quase renega a cultura de 5 mil anos que construiu essas maravilhas todas. Prepare seu coração para a esplanada das pirâmides. Aquela mesma que você já se cansou de ver nas 500 mil fotos que já passaram pelas suas mãos a vida inteira. Não há foto que possa traduzir o que é aquilo.

  12. Menino said

    o que nos esmaga é o seu texto. e eu aqui, fazendo folheto para celular.

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