Como quase fui parar no Senegal

02/06/2009

Ontem, quando acessei a internet para postar no blog as fotos de Lalibela, li o comentário do meu amigo e ex-colega na “Folha de S. Paulo” Ricardo Gallo, em que ele dizia que precisava entrar em contato comigo urgente.

 

Respondi-lhe em seu e-mail, dando o meu número de telefone aqui na Etiópia.

 

Minutos depois, ele me liga.

 

–         João, onde você tá, cara?

–         Na Etiópia.

–         Um avião que ia do Rio para Paris caiu perto do Senegal. Tem como você ir para lá??

 

Pedi um tempo para checar na internet se havia vôos da Etiópia para o Senegal, afinal o país está do outro lado, na costa ocidental africana.

 

Sim, havia um vôo direto Adis Abeba – Dakar (a capital senegalesa) na manhã do dia seguinte (hoje).

 

Mas para pegá-lo eu teria de passar a noite viajando (já que estava em Bahir Dar, no noroeste do país) para chegar de madrugada em Adis Abeba e, lá, correr para o aeroporto.

 

Mais alguns minutos e o Rogério Gentile, editor de Cotidiano da Folha e meu ex-chefe, me liga.

 

–         E aí, João, tem como você ir para o Senegal agora?? Quando você chegaria lá?

 

Faço as contas. Digo-lhe que, se pegasse aquele vôo da manhã, estaria em Dakar por volta das 11h no horário brasileiro.

 

–         Então pode ir! Vai!!

 

Eu tinha então 20 minutos para correr para o meu hotel, arrumar as minhas coisas e ir voando para a rodoviária, para apanhar o último ônibus do dia que partiria para Adis Abeba.

 

Se eu o perdesse, o próximo só sairia na manhã seguinte – e aí não chegaria a Adis Abeba a tempo de pegar o vôo para Dakar.

 

Estou arrumando a minha mala feito um louco quando o Gentile me liga outra vez.

 

– João, acabaram de descobrir que o avião caiu em águas brasileiras. Suspende a ida para o Senegal!

 

E assim eu continuo na Etiópia, de onde lhes escrevo agora.

 

Em todo caso, este já seria o meu último dia no país.

 

Amanhã atravesso a fronteira com o Sudão, para onde vou pela segunda vez nesta viagem.

 

Só que agora visitarei o norte do país, radicalmente diferente do sul, onde estive há um mês e meio.

 

Talvez só consiga voltar a escrever aqui em dois dias, quando planejo chegar a Cartum, onde um calor infernal me espera.

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Uma resposta to “Como quase fui parar no Senegal”

  1. Ei João e a gente brincando com a rota do outro lado ein!!!!!!!! Nossa!!!!!!!!!
    abraços sonia

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