Joanesbugo: uma cidade a ser decifrada

28/02/2009

Comecei a viagem por Joanesburgo. Na verdade, fiz uma parada tecnica na cidade para comprar coisinhas que nao encontrei em Luanda e que serao uteis no resto da viagem (o guia do Lonely Planet sobre todo o continente, caderninhos para anotacoes, alguns livros etc.).

Ja estive na Africa do Sul em julho, com dois amigos, quando visitei Durban, a Cidade do Cabo e Joanesburgo.

Das duas primeiras cidades, so tenho lembrancas agradaveis (a Cidade do Cabo, por sinal, e uma das mais lindas em que ja estive). Ja Joanesburgo nao deixou saudades.

Antes de vir, todos os amigos que ja haviam estado aqui me alertaram sobre os riscos que eu correria caso ousasse por os pes na rua. Cheguei apavorado.

No primeiro dia, eu e meus amigos brigamos com o cara da recepcao do albergue em que nos hospedamos (que queria cobrar mais do que o combinado na reserva) e decidimos ir embora a pe, num bairro nada amigavel, afastado de tudo.

Andamos ate um posto de gasolina, ligamos para uma central de taxis e so depois de muito tempo fomos ‘resgatados’. Depois de rodar muito pela cidade, finalmente encontramos um albergue melhorzinho com camas disponiveis.

Eu, que ja nao tinha boa imagem da cidade, logo que cheguei fiquei com uma impressao ainda pior.

Mas hoje me pergunto se caso nao tivesse passado por isso, e caso ninguem tivesse me falado mal da cidade, eu teria a mesma impressao. Acho que nao.

Joanesburgo e verde e moderna. Ao redor do centro comercial, onde abundam arranha-ceus de dar inveja aos da nossa Berrini, ha bairros e mais bairros residenciais que se espalham ate onde a vista alcanca (depois deles, estao as favelas, que certamente ocupam espaco ainda maior).

Na Joanesburgo rica, todas as casas tem muros altos, com arame farpado ou cercas eletricas no topo. Muitas delas ostentam placas com os seguintes dizeres: RESPOSTA ARMADA. INVASORES SERAO PROCESSADOS.

Hoje, sabado de manha, enquanto fotografava uma plaquinha desse tipo no albergue em que me hospedei dessa vez (e que e OK, num bairro rico), a moca da recepcao saiu aos gritos, dizendo que ‘They’re gonna take it from you!’, referindo-se a minha camera.

Olho ao redor e nao ha ninguem, ninguem nas ruas. Sera que os assaltantes vao surgir de algum tunel para me roubar?

Sim, o panico tomou conta dos proprios habitantes da cidade.

Dessa vez, sinto-me melhor em Joanesburgo. Mas continuo-a achando hostil, fria.

Como Joanesburgo, ha cidades que precisam ser decifradas. Luanda, onde morei no ultimo ano, e uma delas — e acho que consegui decifra-la.

Mas nao sera dessa vez que decifrarei Joanesburgo.

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8 Respostas to “Joanesbugo: uma cidade a ser decifrada”

  1. bem joão,o que posso te dizer é que senti a energia da cidade meio pesada………mesmo!
    abraços e vamos lá!!!!!!!!!
    abraços Sonia

  2. Josie Lins said

    Boa viagem, João. E coragem.
    O projeto é sensacional. E eu vou querer seguir de perto.
    Abraços.

  3. Caro, muito boa sorte, e muito boa viagem. Já estou com saudade de fazer o que você está fazendo. Acima de tudo, relaxe e tenha muita paciência com as lan houses africanas. Vou ficar te acompanhando, e acabei de pôr uma notícia sobre sua viagem no meu blog. Precisando de qualquer coisa, me acione. Vou ficar te acompanhando. Abração.

  4. Ferdi said

    João, eu e Priscila passamos por Joburg poucas horas antes de você na sexta, voltando da Índia. Mas fiz só uma conexão para o Brasil. Já estive nessa cidade quatro vezes e até hoje tenho a impressão de que nunca pus os meus pés lá. Tudo porque os moradores são realmente muito neuróticos com a coisa da violência, ficam nos apavorando e nunca me senti confortável para explorar a cidade. Boa viagem e vai com cuidado irmão. Precisando de algo, é só chamar.

    • João Fellet said

      Eh, Ferdi, Joanesburgo precisa se recuperar desse trauma dos tempos do apartheid.
      E valeu pela ajuda!
      abracao

  5. Ai que horror esse quadro que vc pintou da cidade, John! Fiquei achando que isso aí é uma selva de pedras. Deve ser horrível, ninguém confia em ninguém!

    =/

  6. Maria Helena said

    Amigo, realmente não conhecemos a Africa do Sul, mais especificamente a cidade de Johannesburg, semana passada assisti vidio, com pessoas sendo queimadas vivas apenas por não ser da mesma etnia e ou religião. Seria bem interessante alguém se dispor a pesquisar a respeito e divulgar estas tragédias, o apartheid ainda existe.

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