Comecei a viagem por Joanesburgo. Na verdade, fiz uma parada tecnica na cidade para comprar coisinhas que nao encontrei em Luanda e que serao uteis no resto da viagem (o guia do Lonely Planet sobre todo o continente, caderninhos para anotacoes, alguns livros etc.).

Ja estive na Africa do Sul em julho, com dois amigos, quando visitei Durban, a Cidade do Cabo e Joanesburgo.

Das duas primeiras cidades, so tenho lembrancas agradaveis (a Cidade do Cabo, por sinal, e uma das mais lindas em que ja estive). Ja Joanesburgo nao deixou saudades.

Antes de vir, todos os amigos que ja haviam estado aqui me alertaram sobre os riscos que eu correria caso ousasse por os pes na rua. Cheguei apavorado.

No primeiro dia, eu e meus amigos brigamos com o cara da recepcao do albergue em que nos hospedamos (que queria cobrar mais do que o combinado na reserva) e decidimos ir embora a pe, num bairro nada amigavel, afastado de tudo.

Andamos ate um posto de gasolina, ligamos para uma central de taxis e so depois de muito tempo fomos ‘resgatados’. Depois de rodar muito pela cidade, finalmente encontramos um albergue melhorzinho com camas disponiveis.

Eu, que ja nao tinha boa imagem da cidade, logo que cheguei fiquei com uma impressao ainda pior.

Mas hoje me pergunto se caso nao tivesse passado por isso, e caso ninguem tivesse me falado mal da cidade, eu teria a mesma impressao. Acho que nao.

Joanesburgo e verde e moderna. Ao redor do centro comercial, onde abundam arranha-ceus de dar inveja aos da nossa Berrini, ha bairros e mais bairros residenciais que se espalham ate onde a vista alcanca (depois deles, estao as favelas, que certamente ocupam espaco ainda maior).

Na Joanesburgo rica, todas as casas tem muros altos, com arame farpado ou cercas eletricas no topo. Muitas delas ostentam placas com os seguintes dizeres: RESPOSTA ARMADA. INVASORES SERAO PROCESSADOS.

Hoje, sabado de manha, enquanto fotografava uma plaquinha desse tipo no albergue em que me hospedei dessa vez (e que e OK, num bairro rico), a moca da recepcao saiu aos gritos, dizendo que ‘They’re gonna take it from you!’, referindo-se a minha camera.

Olho ao redor e nao ha ninguem, ninguem nas ruas. Sera que os assaltantes vao surgir de algum tunel para me roubar?

Sim, o panico tomou conta dos proprios habitantes da cidade.

Dessa vez, sinto-me melhor em Joanesburgo. Mas continuo-a achando hostil, fria.

Como Joanesburgo, ha cidades que precisam ser decifradas. Luanda, onde morei no ultimo ano, e uma delas — e acho que consegui decifra-la.

Mas nao sera dessa vez que decifrarei Joanesburgo.

Anúncios

Lá vou eu!

26/02/2009

mapa1

Faz pelo menos um mês que comecei a montar esse mapa. No começo, só queria organizar uma viagenzinha pelo Quênia e talvez também pela Etiópia. 

A viagem foi crescendo com dicas de amigos que falavam de um outro lugar imperdível ali pertinho, e de outro por onde também não custaria nada dar uma passada, já que não é sempre que temos a chance de viajar pela África.

Quando vi, havia planejado uma viagem de mais ou menos cinco meses pelo continente, da África do Sul ao Egito — e por terra.

Tudo começa amanhã, quando deixo Angola — onde vivi ao longo do último ano — rumo a Joanesburgo. Depois tem Moçambique, Zimbábue, Zâmbia, Tanzânia, Ruanda, Congo Democrático, Uganda, Quênia, Etiópia, Sudão e Egito (para ver o mapa detalhado da viagem, com todas as dicas desses amigos, clique aqui).

Sempre que der, pretendo postar aqui algumas fotos e historinhas da viagem.

Até o Cairo!